segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Heroínas Negras

Por Cintia Soares no Chuva Ácida via Guest Post para o Portal Geledés Novembro é considerado o mês da Consciência Negra, por conta do dia de hoje (20 de novembro). Nesse período, vemos muitas homenagens para Zumbi dos Palmares que foi líder do quilombo de Palmares e um guerreiro contra a escravidão no período colonial. Concordo que Zumbi seja uma importante figura histórica, mas e as mulheres negras como Dandara,Tereza, Luisa e Aqualtune? Elas também lutaram e resistiram bravamente, na liderança dos quilombos e nas comunidades de luta contra a escravidão e o racismo. Mesmo com toda essa luta, ainda assim só os homens são lembrados. Essas mulheres também precisam ter seus nomes, histórias e lutas expostos. Mas enquanto essas mulheres tão notáveis e com tamanha importância raramente recebem o devido reconhecimento, as mulheres negras, atualmente, também encontram dificuldade para conseguirem qualquer reconhecimento nas mais diversas áreas da sociedade. Vemos muita divisão até na luta das mulheres por igualdade. Como pode? Uma das mais fortes reivindicações das mulheres brancas é o mercado de trabalho ou o combate aos estereótipos que representam as mulheres como o sexo frágil. Enquanto isso, as mulheres negras enfrentam há tempos a luta contra a escravidão moderna, uma cópia mais “light” do que era imposto até o século XIX. Muitas mulheres brancas, patroas, acabam com a moral das suas empregadas ou babás que, em sua maioria, são negras. Quando não as veem como rival, pois mulheres negras ainda são vistas como objeto sexual por alguns patrões, herança da cultura escravista do país, em que os “senhores” estupravam as escravas. Vemos tudo isso ser representado nas novelas. Raramente vemos novelas em que não se tenham empregadas negras, ou que se tenham protagonistas negras. Só me lembro da Tais Araújo, única, na minha geração. Nós, mulheres, devemos nos unir, juntar forças para vencermos. Os diversos índices e pesquisas sociais no Brasil mostram, frequentemente, evidências de que as mulheres negras vivenciam os níveis mais altos de violência e violação de direitos. A desigualdade salarial entre homens e mulheres, quando analisada sob a perspectiva racial, se torna também uma desigualdade salarial entre mulheres brancas e negras. As mulheres negras estão entre a maioria das vítimas de feminicídio (perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino, classificado como um crime hediondo, no Brasil.). Quando o tema é a ilegalidade do aborto, as consequências da clandestinidade também são mais pesadas para as mulheres negras por serem maioria pobre na estatística de classe social e que, por isso, não têm as mesmas oportunidades que as mulheres brancas de interromper a gestação em outro país ou em clínicas particulares. Gente, de que adianta Consciência Negra se não temos um combate contra o machismo em paralelo? Pra realmente surtir efeito, não ser mais uma data em que são feitas homenagens, falsas promessas e declarações, além de feriados em muitas cidades e da pergunta típica: “feriado de que mesmo?”, é preciso realizar reflexões, fazer um resgate histórico, analisar as consequências da escravidão e como os negros e as negras estão vivendo hoje no país. Não tem como existir luta por igualdade de gênero sem combater o racismo. Assim como não há luta antirracista sem a luta por igualdade de gênero. A intersecção das lutas contra as opressões é necessária. Por isso, o feminismo negro é necessário. As pessoas devem entender que mulheres negras não têm escolha sobre a possibilidade de sofrerem um ou outro tipo de discriminação; ambas as violências se repetem de maneira interligada, em moldes direcionados exclusivamente e especificamente às mulheres negras. Ainda hoje, há muitas diferenças entre as questões das mulheres brancas e negras. De maneira similar, por mais que estejam unidos na luta contra o racismo, há certos tipos de violência que os homens negros não enfrentam. Infelizmente, tanto nos movimentos de mulheres quanto nos movimentos negros, as mulheres negras ainda lutam para que suas necessidades sejam ouvidas e representadas. A exemplo das guerreiras negras na história do Brasil, nem sempre a dedicação à luta é o suficiente para que as nossas demandas sejam atendidas ou contempladas. Encerro esse texto citando um poema com autoria de Zuleika dos Reis: SER NEGRA – Homenagem ao Dia da Consciência Negra Negra é a mulher que tem sido minha irmã, que nos ajuda, há muito, a mim e a minha mãe, a segurar as barras do cotidiano insalubre. Negra é a pele que me vai por dentro, herança dos meus ancestrais. Negro é o blues que me invade, com todas as suas línguas feitas de saudade e de desterro. Negras são certas saudades: volúpia, sofrimento. Negra é a linda canção que cantava a filha daquele que foi meu homem, canção que ela aprendeu de sua avó. Negra é a negra noite, quando se sonham os sonhos mais profundos. Negro de belezas é o silêncio dos amantes plenos um do outro. Negra sou eu quando deixo que acordem em mim todas as áfricas. Negra é a África, berço do mundo. Felizes dos que se alegram, dos que se orgulham pelo negro, pela negra que todos carregamos por fora, por dentro; negritude que nos amplia, que nos ensina, que nos ultrapassa, que fere os nossos limites, para que possamos prosseguir. Tags: Mulher Negra

sábado, 28 de novembro de 2015

“O Brasil não pode repetir com os refugiados o erro da escravidão”

Publicado há 2 meses - em 19 de setembro de 2015 » Atualizado às 9:26 Categoria » Em Pauta • Questão Racial O advogado Pitchou Luambo, de 34 anos, é um vencedor: conseguiu deixar para trás uma guerra civil sangrenta e a opressão de um governo autoritário em sua terra natal, a República Democrática do Congo, para recomeçar a vida no Brasil, onde vive desde 2010 –sorte contrária a de muitos de seus conterrâneos, que diariamente correm o risco de perder a vida ou a liberdade. É um entre milhares de refugiados que anualmente chegam ao Brasil para escapar das consequências de conflitos armados, do autoritarismo político ou das condições de vida precárias. O que encontram aqui, no entanto, é um novo conjunto de obstáculos que alimentam uma situação também dramática. “Será que já me habituei a viver no Brasil? Não sei”, diz, pensativo. “Todos os dias, é luta, luta, luta. Nós vivemos sempre no presente, resolvendo problemas. É difícil começar a planejar o futuro ou dizer que expectativa tenho. E esse sentimento é geral entre os refugiados, de todos os países”, conta. Para reverter esse ciclo vicioso, que aprofunda os problemas que os refugiados e imigrantes já enfrentariam naturalmente em sua adaptação um novo país, Pitchou fundou o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-Teto de São Paulo (GRIST), com o objetivo de organizar eventos culturais, aulas de francês e rodas de diálogo com brasileiros para apresentar a si mesmos, suas histórias e costumes, e buscar um novo tipo relacionamento a sociedade brasileira, mais igual e solidário. O próximo evento de aproximação entre refugiados e brasileiros organizado pelo GRIST ocorre em São Paulo neste domingo (20), próximo ao terminal de ônibus de Cidade Tiradentes. Pitchou, que não tem estabilidade financeira para viver de aluguel, mora em uma ocupação no centro de São Paulo, assim como outros refugiados africanos de países como Togo, Benin, Mali e Camarões, além de imigrantes de países da América do Sul e Caribe, como Bolívia, Peru e Haiti. Todos eles compartilham a dificuldade de conseguir uma renda fixa e a aceitação dos novos vizinhos brasileiros. “O primeiro problema quando cheguei foi o idioma. Depois, conseguir emprego. Qualquer emprego, porque eu não consigo trabalhar na minha profissão. Hoje digo que eu ‘era’ e não que ‘sou’ advogado, porque já são cinco anos sem atuar”, explica. É difícil até conseguir trabalho braçal, embora muitos dos refugiados tenham formação de ensino superior, como Pitchou. “Até para ser servente de pedreiro, eles pedem experiência profissional. Mas como eu vou ter essa experiência? Nunca trabalhei nisso. No Congo, para se formar advogado, você estuda das 8 h às 18 h, todos os dias; e eu só trabalhei na minha área”. Não se trata apenas de burocracia: a dificuldade para ser contratado é, também, consequência de preconceito racial e cultural, que impõe barreiras à assimilação dos imigrantes na sociedade brasileira. “Muitas vezes, percebemos que usam desculpas forjadas para não nos empregar”, diz Pitchou. Por esse motivo, mesmo quando o emprego aparece, as condições geralmente são precárias: a maioria das vagas, especialmente na construção civil, é sem registro ou direitos trabalhistas, para períodos de experiência de seis meses. “Às vezes, o empregador sabe que a obra vai durar só quatro ou cinco meses, por exemplo. Ou então apenas dispensa sem motivo. É um esquema de trabalho que dá muito lucro, mas não dá estabilidade ao refugiado. O período que ficamos desempregados é muito maior que o tempo que passamos trabalhando”, lamenta Pitchou. “Nós estamos junto com os brasileiros construindo a história do país. Amanhã, meu filho não será refugiado, será brasileiro. Ele não vai ter sotaque. Eu, amanhã, posso ser seu sogro. Meu filho pode ser seu genro, então vamos tentar ajudar. Hoje, você está maltratando alguém que poderá ser parte da sua família”, afirma, e faz um paralelo com a história dos primeiros imigrantes africanos que chegaram ao Brasil, sequestrados pelos escravistas portugueses. “Se não fosse a cultura dos escravos, a música, a comida, como seria a cultura brasileira hoje? Naquele período, foi a escravidão que trouxe eles para cá. Hoje, são as guerras mundiais que nos trazem. Mas, do jeito que estamos levando as coisas, corremos o risco de escrever a mesma história. Porque os africanos chegaram naquela época como mão de obra barata, sem perspectiva de vida. De certa forma, é o que acontece hoje também”. Pitchou conta que todos os brasileiros que encontra se esforçam para demonstrar solidariedade, mas muitos têm dificuldade de compreender que, mais grave do que o drama passado, são os problemas do presente. “Eu fico muito triste quando eu me encontro com as pessoas e explico que sou refugiado, que um dia saí de casa de manhã e encontrei mil pessoas mortas onde eu vivia e tive de sair pulando os corpos, e os brasileiros ficam tristes. Todos choram. Só que quando eu falo que estou passando dificuldade aqui, que estou passando fome, que não tenho onde dormir, aí dizem que no Brasil é assim mesmo”, resume. Tags: em pauta • escravidão • Questão Racial • refugiados Leia a matéria completa em: “O Brasil não pode repetir com os refugiados o erro da escravidão” - Geledés http://www.geledes.org.br/o-brasil-nao-pode-repetir-com-os-refugiados-o-erro-da-escravidao/#ixzz3spDdQAiw Follow us: @geledes on Twitter | geledes on Facebook

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

CONSCIÊNCIA

Não! Não me venha com Consciência Branca, Consciência Humana, com 100% Branco. Esta história negra à brasileira de dor e exclusão, segregação e racismo diário nunca nos desceu. Não tenho o pé na cozinha e nem na Senzala! Minha ascendência é de reis e rainhas, sacerdotes e sacerdotisas. Denegrir é tornar negro, então pode me denegrir à vontade. Vamos denegrir o mundo. Mulato é filho de mula! Negras mulheres, negras rainhas! Não são seu objeto de desejo? Fecha sua cara mané, respeito conserva os dentes! Cabelo ruim? Ah é? Então me diz o dia que ele brigou com você? Não sou essa gente de cor. Somos essa gente de alma e sentimento. Nossos jovens pretos estão morrendo. Você não viu? Ou fez que não enxerga? A dor é nossa. A carne mais barata do mercado é a carne negra? Na suas ideias só se for. Não estamos à venda. Exu nunca foi seu diabo europeu. Meus deuses são negros e qual o problema nisso. E são de guerra, estão na batalha para trazer a paz. Hoje é dia de reflexão. Acorda! Esse mundo de igualdade nunca existiu. Fácil falar de fome com um prato na mesa. E nem vem com essa de estão dividindo o Brasil. Vai no Congresso Nacional que é Branco e no Presídio Preto e me diz qual é a sua igualdade tupiniquim. A verdade é que toda preta e todo preto tem seu diário particular de um detento para contar. Sorriso negro forjado na lágrima. Mas se você não quis ver a história do Brasil, ao menos hoje se ponha a refletir o porquê? Faz o teste do pescoço. Olha para o lado no seu churrasco de picanha e Re Label e veja quantos pretos e pretas estão com você? Olhou? Então! Felipe Brito

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A Consciência Negra é necessária

Publicado há 1 dia - em 5 de novembro de 2015 » Atualizado às 9:29 Categoria » Questão Racial Mês de novembro chegou e com ele vem o dia da Consciência Negra. Muitas pessoas questionam o motivo de tal data, reforçando que o que deveríamos ter, realmente, era um dia da Consciência Humana. Por Flipe Cardoso Do Chuva Acida Muito admira os questionamentos e as intromissões quando se trata das pautas da população negra. Em outubro tivemos três festividades germânicas no estado, mas os mesmos questionamentos não foram feitos. Não foi cobrado, por exemplo, para que fosse realizado uma festa das tradições joinvilenses, com todas as culturas representadas, ao invés de celebrarmos apenas a cultura germânica. Esses questionamentos mostram uma tentativa de silenciar quem sempre lutou e luta para ser escutado e representado. Esses questionamentos são frutos de uma cultura racista que nunca permitiu ou viu com bons olhos o que era produzido pela população negra que, aqui na região, insistem em afirmar que não existia, mesmo que a história afirme o contrário e mostre que, em Joinville, os negros e negras – escravizados e libertos – já frequentavam a região, junto com as famílias luso-brasileiras, e ajudaram os primeiros colonizadores, alemães e noruegueses, que aqui chegaram, em 1851. Para quem ainda duvida, visitem o Cemitério dos Imigrantes de Joinville e vejam lá enterrados alguns dos escravos que aqui viveram. Além do resgate e da luta para que essa história seja propagada e apresentada tanto para moradores, quanto para turistas, a Consciência Negra se faz necessária em uma cidade que continua a insistir ser pertencente a um só povo e que, com isso, contribui para o surgimento de grupos neonazistas e separatistas. Ao acreditar que o problema racial seria resolvido se fosse silenciado, seguindo a lógica Morgan Freemiana, permitiu-se que o problema crescesse, fazendo surgir diversos casos e denúncias de racismo. Recentemente, o caso envolvendo a modelo Haeixa Pinheiro, na disputa do concurso para eleger a rainha da 77ª Festa das Flores, viralizou na internet e deixou mais do que evidente a importância de uma data que relembre o sofrimento da população negra no período escravocrata e as consequências dessa época que persistem até hoje. A invisibilidade negra nos concursos de beleza, por exemplo, é parte das grandes consequências geradas pela escravidão em terras brasilis. Não me agrada esses tipos de concursos, a objetificação da mulher e sua exposição, tendo que corresponder a um padrão pré-estabelecido, reduzindo todas as suas qualidades a simples aparência, tentando criar padrões que demonstrem o que é belo e o que é feio, o que é bom e o que é ruim, o que deve e o que não deve ser aceito, mas diante dos fatos é preciso fazer uma outra análise sobre outra problemática existente: o racismo. Se é permitido a presença de mulheres brancas disputando a coroa de rainha das Escolas de Samba, no Carnaval, por que não é permitido a presença de mulheres negras na disputa pela coroa em eventos da cultura germânica? Ainda insistem em nos intitular como extremistas e intolerantes, quando a realidade nos mostra o contrário. Haeixa pode até não saber, mas representa a negritude joinvilense, todos aqueles e aquelas que se escondem, não querem tocar no assunto, sentem medo. Haeixa está encorajando negros e negras a buscarem a Consciência, a representatividade e o direito de dizer que estamos aqui, que ajudamos a construir essa cidade e que queremos respeito. Respeito à nossa cultura, as nossas tradições. Respeito à diversidade. Somos diferentes, sim. Minha pele negra é diferente da pele branca, mas não é isso que gera o racismo. O que gera o racismo é querer usar dessa diferença para sobressair, tirar vantagem das outras pessoas, hierarquizar. Foi isso que foi feito na escravidão e persiste até os dias de hoje. Sobre os que têm e os que não têm, os que mandam e os que obedecem, os que vivem e os que morrem, os que são livres e os que são encarcerados… Acredito também que devemos ver o que nos une, mas sem um olhar clínico, crítico e analítico do que nos separa, jamais atingiremos a unidade que tanto queremos. É esse olhar clínico que a Consciência Negra tenta trazer todos os anos, todos os meses, todos os dias, mas nunca consegue ser escutada. Os problemas raciais são estruturais no nosso país, não é esvaziando os debates, não é tentando silenciar que iremos chegar a uma solução eficaz. É justamente por meio da escuta, da educação, da pesquisa, da leitura, do conhecimento e, principalmente, da empatia. Se você quer mesmo ter uma Consciência Humana, comece entendendo que a Consciência Negra é importante, pois com todas as desumanidades que nós enfrentamos nos mantemos de pé, tentando dialogar e ensinar um pouco mais sobre a nossa cultura, a pedir mais respeito, a lutar pelo fim do genocídio e da marginalização da nossa população, da nossa religião, das nossas tradições. Salve Zumbi! Salve Dandara! Salve Tereza! Salve todos os heróis e heroínas, negros e negras, que morreram lutando por justiça e liberdade! Estão vivos e serão sempre lembrados. Portal Geledes Tags: Consciência Negra • Questão Racial

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Escola de Caxias do Sul oferece aulas gratuitas de português para imigrantes

Oficina da Escola Adventista atende, principalmente, senegaleses e haitianos Hoje, cerca de 20 alunos participam das aulas gratuitas. Fabiano Rodrigues / Divulgação Ciro Fabres ciro.fabres@pioneiro.com.br Desde agosto, a comunidade da Escola Adventista está engajada em uma causa nobre: oferecer aulas de Português para imigrantes. A oficina iniciou com 34 estrangeiros, a maioria vinda do Senegal e Haiti. Hoje, são, em média, 20 alunos. A oficina é oferecida todos os sábados a partir das 15h30min. As aulas duram 90 minutos e são ministradas por duas professoras com formação em Letras: Nínive Magdiel Peter Bovo e Daiane Ávila da Silva. A oficina é gratuita e o material usado nas aulas é fornecido pela instituição. — Notamos a dificuldade de se comunicarem. Muitos falam francês e crioulo e esbarram em questões simples, como formar um currículo. Eles acabam perdendo vagas de trabalho por isso. O retorno deles é muito bom — afirma, o diretor da escola Jéferson Luiz dos Passos. Os interessados em participar das oficinas podem procurar a secretaria da Escola Adventista, na Rua Amazonas, número 1.000, bairro Jardim América. O telefone de lá é (54) 3228.2388. Como nem todos os imigrantes ainda têm acesso direto à informação, é importante que sejam avisados da existência desta oficina gratuita para aprender o português. Destaque Pioneiro Caxias do Sul

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

ONGs pelos direitos das mulheres querem maior orçamento para novo ministério

geledes.org.br Publicado há 2 dias - em 4 de outubro de 2015 » Atualizado às 9:34 Categoria » Questões de Gênero A presidenta Dilma Rousseff anunciou hoje (2) a criação do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos dentro da reforma administrativa feita pelo governo. Após a junção das secretarias de Direitos Humanos, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e de Políticas para Mulheres em uma única pasta, os movimentos sociais que atuam em favor dos direitos humanos e igualdade racial e de gênero pedem um orçamento maior para a sustentação e implementação de políticas públicas. Por Andreia Verdélio, do EBC Segundo Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, organização voltada à comunicação e direitos das mulheres, as três secretarias têm um orçamento de cerca de R$ 250 milhões. “Isso é muito pouco em um país constituído de 50% de mulheres e 52% de negros. Não podemos conviver com esse orçamento, o ajuste não pode ser somente corte”, disse. A coordenadora da ONG Crioula, Jurema Werneck, criticou a junção. “Isso demonstra que o governo federal ainda não entendeu seu dever de enfrentar as desigualdades e nem sabe como fazer. Juntar tudo pode não atender a nenhuma das perspectivas e desmantelar o que já estava sendo montado. Foi um erro, uma traição do pacto que eles fizeram com o campo democrático popular na construção de mecanismos capazes de reduzir desigualdades”, disse. A atual ministra da Seppir, Nilma Lino Gomes, ficará à frente da nova pasta. Para Jacira, do Instituto Patrícia Galvão, apesar de a junção não ser positiva, a escolha de uma mulher e uma mulher negra para o comando do ministério é simbólica e, politicamente, de grande importância. Manter os nomes das antigas secretarias no ministério também foi uma conquista para a diretora. “As políticas para as mulheres, para igualdade racial e para os direitos humanos não foram invenções de nenhum governo, são frutos de lutas históricas dos movimentos sociais brasileiros. Não poderíamos diluir como cidadania [nome cotado para o novo ministério], não poderíamos perder essa denominação histórica, que, a nosso ver, significa um alargamento da democracia”, disse Jacira. O ministério terá uma Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, comandada por Eleonora Menicucci; uma Secretaria Nacional de Igualdade Racial, dirigida por Ronaldo Barros; e uma Secretaria Nacional de Direitos Humanos, liderada por Rogério Sottili. Tags: Questões de Gênero

domingo, 27 de setembro de 2015

Os demônios do Demônio - Eduardo Galeano

Este artigo de Eduardo Galeano nos traz a história de séculos passados. No entanto os mesmos grupos continuam sendo demonizados pelos que se entendem donos da decência, verdade,razão, direito de propriedade, seja ela de ter quanto de ser,nos dias atuais. O tempo passou as coisas mudaram, ou deveriam ter mudado, mas ainda assim encontramos as mesmas mazelas sociais. A culpabilização e a não aceitação do outro, do diferente, até por quem um dia já foi o diferente, e que, independente disso, esquecidos de sua história e passado, demonizam os que hoje percorrem, ou são, da mesma forma que eles eram. O artigo nos confronta com a realidade da continuidade de ações dos que hoje se encontram em situação de privilégio, mas fazem questão de não lembrar e de esconder sua antiga condição através de gestos hostis, com quem hoje segue os passos que eles mesmos percorreram em busca de uma oportunidade ou melhoria de condição de vida.Os que buscam a liberdade, a igualdade e contam com a fraternidade e compreensão. Eis o artigo: Publicado há 4 meses - em 21 de abril de 2015 » Atualizado às 8:35 Categoria » Em Pauta Muçulmanos, judeus, mulheres, homossexuais, índios, negros, estrangeiros e pobres: em ensaio de 2005, escritor discorre sobre as diferentes faces do Demônio, descritas pela antítese de cada um desses ‘anjos do mal’ por Eduardo Galeno publicado originalmente no site da revista Le Monde Diplomatique, Opera Mundi Esta é uma modesta contribuição à guerra do Bem contra o Mal. Entre os diversos semblantes do Príncipe das Trevas, só estão os demônios que existem há muito, muito tempo, e que há séculos ou milênios continuam ativos no mundo. O Demônio é mulçumano A experiência prova que a ameaça do inferno é sempre mais eficaz que a promessa do Céu. Benditos sejam os inimigos Dante já sabia que Maomé era terrorista. Por alguma razão o colocou em um dos círculos do inferno, condenado à pena de prisão perpétua. “O vi partido”, celebrou o poeta em A Divina Comédia , “desde a barba até a parte inferior do ventre…”. Mais de um Papa já tinham comprovado que as hordas muçulmanas, que atormentavam a Cristandade, não eram formadas por seres de carne e osso, eram um grande exército de demônios que aumentava quanto mais sofria com os golpes das lanças, das espadas e dos arcabuzes. Hoje em dia, os mísseis fabricam muito mais inimigos que os inimigos das entranhas. Porém, que seria de Deus, afinal de contas, sem inimigos? O medo impera, as guerras existem para desbaratar o medo. A experiência prova que a ameaça do inferno é sempre mais eficaz que a promessa do Céu. Benditos sejam os inimigos. Na Idade Média, cada vez que o trono tremia, por bancarrota ou fúria popular, os reis cristãos denunciavam o perigo muçulmano, desatavam o pânico, lançavam uma nova Cruzada, o santo remédio. Agora, há pouco tempo, George W. Bush foi reeleito presidente do planeta graças o oportuno aparecimento de Bin Laden, o grande Satã do reino, que as vésperas das eleições anunciou, pela televisão, que ia comer todas as crianças. Lá pelo ano de 1564, o especialista em demonologia Johann Wier teria contado os demônios que estavam trabalhando na terra, a tempo integral, a favor da perdição das almas cristãs. Eram sete milhões quatrocentos e nove mil cento e vinte sete, que agiam divididos em setenta e nove legiões. Muita água fervente passou, depois daquele censo, debaixo das pontes do inferno. Quantos são, hoje em dia, os enviados do reino das trevas? As artes do teatro dificultam as contas. Estes falsos continuam usando turbantes, para ocultar seus cornos, e longas túnicas tampam os rabos do dragão, suas asas de morcego e a bomba que carregam debaixo do braço. O Demônio é judeu A colossal carnificina organizada por Hitler culminou uma longa história de perseguição e humilhação Hitler não inventou nada. Há mil anos, os judeus são os imperdoáveis assassinos de Jesus e os culpados de todas as culpas. Como? Jesus era judeu? E judeus eram também os doze apóstolos e os quatro evangelistas? O que você disse? Não pode ser. As verdades reveladas estão além das dúvidas e não exigem mais evidências do que a própria existência. As coisas são como se diz que são, e se diz porque se sabe: nas sinagogas o Demônio dá aulas, e os judeus desde há muito se dedicam a profanar hóstias e a envenenar águas bentas. Por causa deles aconteceram bancarrotas econômicas, crises financeiras e derrotas dos militares; são eles que trouxeram a febre amarela e a peste negra e todas as outras pestes. A Inglaterra os expulsou, nenhum escapou, no ano de 1290, porém isso não impediu Chaucer, Marlowe e Shakespeare, que nunca tinham visto um judeu, fossem obedientes à caricatura tradicional e reproduzissem personagens judeus segundo o modelo satânico de parasita sanguessuga e o avaro usurário. Acusados de servir ao Maligno, estes malditos andaram durante séculos de expulsão em expulsão e de matança em matança. Depois da Inglaterra foram sucessivamente expulsos da França, Áustria, Espanha, Portugal e de numerosas cidades suíças, alemães e italianos. Os reis católicos Izabel e Fernando expulsaram os judeus e também os muçulmanos porque sujavam o sangue. Os judeus haviam vivido na Espanha durante treze séculos. Levaram com eles as chaves de suas casas. Há quem as guardem ainda. Nunca mais voltaram. A colossal carnificina organizada por Hitler culminou uma longa história de perseguição e humilhação. A caça aos judeus tem sido sempre um esporte europeu. Agora, os palestinos, que jamais a praticaram, pagam a culpa. O Demônio é mulher “Toda a bruxaria provém da luxúria carnal, que nas mulheres é insaciável” O livro Malleus Maleficarum, também chamado O martelo das bruxas, recomenda o mais ímpio exorcismo contra o demônio que tem seios e cabelos compridos. Dois inquisidores alemães, Heinrich Kramer e Jakob Sprenger, o escreveram, a pedido do Papa Inocêncio VIII, para enfrentar as conspirações demoníacas contra a Cristandade. Foi publicado pela primeira vez em 1486 e até o final do século XVIII foi o fundamento jurídico e teológico dos tribunais da Inquisição em vários países. Os autores afirmavam que as bruxas, do harém de Satanás, representavam as mulheres em estado natural: “Toda bruxaria provém da luxúria carnal, que nas mulheres é insaciável”. E demonstravam que “esses seres de aspecto belo, cujo contato é fétido e a companhia mortal” encantavam os homens e os atraíam com silvos de serpentes, rabos de escorpião, para aniquilá-los. Os autores advertiam aos incautos: “A mulher é mais amarga que a morte. É uma armadilha. Seu coração, uma rede; e correias, seus braços”. Esse tratado de criminologia, que enviou milhares de mulheres às fogueiras da Inquisição, aconselhava que todas as suspeitas de bruxaria fossem submetidas à tortura. Se confessassem, mereceriam o fogo. Se não confessassem também, porque só uma bruxa, fortalecida por seu amante, o Demônio, nos conciliábulos das bruxas, poderia resistir a semelhante suplício sem soltar a língua. O papa Honório III sentenciara que o sacerdócio era coisa de machos: – As mulheres não devem falar. Seus lábios têm o estigma de Eva, que provocou a perdição dos homens. Oito séculos depois, a Igreja Católica continua negando o púlpito às filhas de Eva. O mesmo pânico faz com que os mulçumanos fundamentalistas as mutilem o sexo e lhes cubram a cara. E o alívio pelo perigo conjurado leva os judeus mais ortodoxos a começar o dia sussurrando: “Graças, Senhor, por não me ter feito mulher”. O Demônio é homossexual Em nenhum lugar do mundo se levou em conta os muitos homossexuais condenados ao suplício ou a morte pelo delito de sê-lo Desde 1446, os homossexuais iam para a fogueira em Portugal. Desde 1497 eram queimados vivos na Espanha. O fogo era o destino merecido pelos filhos do inferno, que surgiam do fogo. Na América, ao contrário, os conquistadores preferiam jogá-los aos cachorros. Vasco Núnez de Balboa, que entregou muitos deles para a refeição dos cães, acreditava que a homossexualidade era contagiosa. Cinco séculos depois, ouvi o Arcebispo de Montevidéu dizer o mesmo. Quando os conquistadores apontaram no horizonte, só os astecas e os incas, em seus impérios teocráticos, castigavam a homossexualidade com a pena de morte. Os outros americanos a toleravam e em alguns lugares a celebravam, sem proibição ou castigo. Essa provocação insuportável devia desencadear a cólera divina. Do ponto de vista dos invasores, a varíola, o sarampo e a gripe, pestes desconhecidas que matavam índios como moscas, não vinham da Europa, mas sim do Céu. Assim, Deus castigava a libertinagem dos índios que praticavam a anormalidade com toda a naturalidade. Nem na Europa, nem na América, nem em nenhum lugar do mundo se levou em conta os muitos homossexuais condenados ao suplício ou a morte pelo delito de sê-lo. Nada sabemos dos longínquos tempos e pouco ou nada sabemos dos tempos de agora. Na Alemanha nazista, estes “degenerados culpados de aberrante delito contra a natureza” eram obrigados a exibir a estrela amarela. Quantos foram para os campos de concentração? Quantos lá morreram? Dez mil? Cinquenta mil? Nunca se soube. Ninguém os contou, quase ninguém os mencionou. Tampouco se soube quantos foram os ciganos exterminados. No dia 18 de setembro de 2002, o governo alemão e os bancos suíços resolveram “retificar a exclusão dos homossexuais entre as vítimas do Holocausto”. Levaram mais de meio século para corrigir essa omissão. A partir dessa data os homossexuais que tinham sobrevivido em Auschwitz e em outros campos, se é que ainda haja algum vivo, puderam reclamar uma indenização. O Demônio é índio Os conquistadores cumpriram a missão de devolver a Deus o ouro, a prata e outras várias riquezas que o Demônio havia usurpado Os conquistadores descobriram que Satã, quando expulso da Europa, tinha encontrado refúgio na América. Nas ilhas e nas praias do mar do Caribe, beijadas dia e noite por seus lábios flamejantes, habitadas por seres bestiais que andavam nus, tal como o Demônio os havia colocado no mundo, que cultuavam o sol, a terra, as montanhas, os mananciais e outros demônios disfarçados de deuses, que chamavam de jogo ao pecado carnal e o praticavam sem horário nem contrato, que ignoravam os dez mandamentos e os sete sacramentos e os sete pecados capitais, que não conheciam a palavra pecado nem temiam o inferno, que não sabiam ler nem tinham nunca ouvido falar do direito de propriedade, nem de nenhum direito e que, como se tudo isso fosse pouco, tinham o costume de comerem uns aos outros. E crus. A conquista da América foi uma longa e difícil tarefa de exorcismo. Tão arraigado estava o Demônio nestas terras, que quando parecia que os índios se ajoelhavam devotamente ante a Virgem, estavam na realidade adorando a serpente que ela amassava com o pé; e quando beijavam a Cruz não estavam reconhecendo ao Filho de Deus, mas estavam celebrando o encontro da chuva com a terra. Os conquistadores cumpriram a missão de devolver a Deus o ouro, a prata e outras várias riquezas que o Demônio havia usurpado. Não foi fácil recuperar o tesouro. Ainda bem que de vez em quando recebiam alguma pequena ajuda de lá de cima. Quando o dono do inferno preparou uma emboscada em um desfiladeiro, para impedir a passagem dos espanhóis em busca da prata de Cerro Rico de Potosi, um arcanjo baixou das alturas e lhe deu uma tremenda surra. O Demônio é negro Supunha-se que a leitura da Bíblia podia facilitar a viagem dos africanos do inferno para o paraíso, mas a Europa esqueceu de ensiná-los a ler Como a noite, como o pecado, o negro é inimigo da luz e da inocência. Em seu célebre livro de viagens, Marco Pólo fala dos habitantes de Zanzibar. “Tinham uma boca muito grande, lábios muito grossos e nariz como o de um macaco. Caminhavam nus, totalmente negros e para quem de qualquer outra região que os visse acreditaria que eram demônios”. Três séculos depois, na Espanha, Lúcifer, pintado de negro, trepado numa carroça em chamas, entrava nos pátios das comédias e nos palcos das feiras. Santa Tereza de Jesus, que viveu para combatê-lo, apesar disso nunca pode entendê-lo. Uma vez ficou ao lado e viu “um negrinho abominável”. Outra vez ela viu que do seu corpo negro saía uma chama vermelha, quando se sentou em cima de seu livro de orações e queimou os textos do ofício religioso. Uma breve história do intercâmbio entre África e Europa: durante os séculos XVI, XVII e XVIII, a África vendia escravos e comprava fuzis. Trocava trabalho pela violência. Os fuzis punham ordem no caos infernal e a escravidão iniciava o caminho da redenção. Antes de serem marcados com ferro quente, na cara e no peito, todos os negros recebiam uma boa unção de água benta. O batismo espantava o demônio e dava alma a esses corpos vazios. Depois, durante os séculos XIX e XX, a África entregava ouro, diamantes, cobre, marfim, borracha e café e recebia Bíblias.Trocava produtos por palavras. Supunha-se que a leitura da Bíblia podia facilitar a viagem dos africanos do inferno para o paraíso, mas a Europa esqueceu de ensiná-los a ler. O Demônio é estrangeiro O imigrante está disponível para ser acusado como responsável pelo desemprego, a queda do salário, a insegurança pública e outras temíveis desgraças O “culpômetro” indica que o imigrante vem roubar-nos o emprego e o “perigosímetro” acende a luz vermelha. Se for pobre, jovem e não for branco, o intruso, que veio de fora, está condenado, à primeira vista, por indigência, inclinação ao tumulto ou por ter aquela pele. De qualquer maneira, se não é pobre, nem jovem, nem escuro, deve ser mal recebido, porque chega disposto a trabalhar o dobro em troca da metade. O pânico diante da perda do emprego é um dos medos mais poderosos entre todos os medos que nos governam nestes tempos de medo. E o imigrante está sempre disponível para ser acusado como responsável pelo desemprego, a queda do salário, a insegurança pública e outras temíveis desgraças. Em outros tempos, a Europa distribuía para o mundo soldados, presos e camponeses mortos de fome. Estes protagonistas das aventuras coloniais passaram à história como agentes viajantes de Deus. Era a Civilização lançada nos braços da barbárie. Agora a viagem se faz na contramão. Os que chegam, ou tentam chegar do sul em direção ao norte, não trazem nenhuma faca entre os dentes nem fuzil no ombro. Vêm de países que foram oprimidos até a última gota de seu sugo e não têm a intenção de conquistar nada além de um trabalho ou trabalhinho. Esses protagonistas das desventuras parecem, muito mais, mensageiros do Demônio. É a barbárie que toma de assalto a Civilização. O Demônio é pobre Os bens de poucos sofrem a ameaça dos males de muitos Se lambem enquanto você come, espiam enquanto você dorme: os pobres espreitam. Em cada um se esconde um delinquente, talvez um terrorista. Os bens de poucos sofrem a ameaça dos males de muitos. Nada de novo. Tem sido assim desde quando os donos de tudo não conseguem dormir e os donos de nada não conseguem comer. Submetidas a um acossamento durante milhares de anos, as ilhas da decência estão encurraladas pelos turbulentos mares da vida desgraçada. Rugem as ondas sucessivas que forçam viver em sobressalto perpétuo. Nas cidades de nosso tempo, imensos cárceres que prendem os prisioneiros ao medo, as fortalezas dizem ser casas e as armaduras simulam ser trajes. Estado de sítio. Não se distraia, não baixe a guarda, desconfie: você está estatisticamente marcado, mais cedo ou mais tarde terá que sofrer algum assalto, sequestro, violação ou crime. Nos bairros malditos espreitam, ocultos, remoendo invejas, tragando rancores, os autores de sua próxima desgraça. São vagabundos, pobres diabos, bêbados, drogados, carne de cárcere ou bala, pessoas sem dentes, sem rumo e sem destino. Ninguém os aplaude, porém os ladrões de galinha fazem o que podem imitando, modestamente, os mestres que ensinam ao mundo as fórmulas do êxito. Ninguém os compreende, porém eles aspiram serem cidadãos exemplares, como esses heróis de nosso tempo que violam a terra, envenenam o ar e a água, estrangulam salários, assassinam empregos e sequestram países. Tags: demônio • Eduardo Galeano • Intolerâncias Correlatas

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Racismo

É a convicção de que existe uma relação entre as características físicas hereditárias, como a cor da pele, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. A base, mal definida, do racismo é o conceito de raça pura aplicada aos homens, sendo praticamente impossível descobrir-lhe um objeto bem delimitado. Não se trata de uma teoria científica, mas de um conjunto de opiniões, além de tudo pouco coerentes, cuja principal função é alcançar a valorização, generalizada e definida, de diferenças biológicas entre os homens, reais ou imaginárias. O racismo subentende ou afirma claramente que existem raças puras, que estas são superiores às demais e que tal superioridade autoriza uma hegemonia política e histórica, pontos de vista contra os quais se levantam objeções consideráveis. Em primeiro lugar, quase todos os grupos humanos atuais são produto de mestiçagens. A constante evolução da espécie humana e o caráter sempre provisório de tais grupos tornam ilusória qualquer definição fundada em dados étnicos estáveis. Quando se aplica ao homem o conceito de pureza biológica, confunde-se quase sempre grupo biológico com grupo linguístico ou nacional. * Apesar de estarmos em pleno século XXI, ainda existem pessoas adeptas aos movimentos raciais (neonazismo, neofascismo, etc...) Postado por Gabriela Ayres, Jéssica Aline e Luana 2º A, Unilíder. Professor: Cristiano Amorim

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Câncer de colo do útero é um dos mais frequentes

A ocorrência do HPV (Papiloma Vírus Humano) em mulheres é tratada com maior cautela devido à evolução para o câncer. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de colo do útero é o quarto mais frequente e o terceiro tumor mais recorrente na população feminina, atrás apenas dos de mama e colorretal, sendo responsável pelo óbito de 265 mil mulheres por ano. Aproximadamente 530 mil novos casos são registrados anualmente no mundo. Em 2014, também de acordo com o Inca, 15.590 foram registrados no País. Para a prevenção, existem as vacinas quadrivalente, que confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18, e bivalente, que confere proteção contra HPV 16 e 18. Existem 40 tipos de HPV que podem infectar o trato ano-genital. Pelo menos 13 deles são considerados oncogênicos, ou seja, podem apresentar maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes. No total, existem mais de 100 tipos do vírus. Os tipos 16 e 18 estão associados a 70% dos casos de câncer de colo do útero. Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% dos condilomas genitais e papilomas laríngeos, são considerados não oncogênicos. O câncer de colo do útero, também conhecido como câncer cervical, é provocado pela infecção persistente por alguns tipos do HPV. A infecção genital pelo vírus é bastante frequente, embora não cause a doença, na maioria das vezes. Em alguns casos, porém, alterações celulares podem ocorrer, de modo a evoluir para o câncer. O Papanicolau, exame preventivo realizado por ginecologistas, detecta tais alterações. Jornal do Comércio

SERVIÇO

Se você foi vítima de racismo em Caxias do Sul, saiba onde obter ajuda: - Coordenadoria de Promoção da igualdade Racial: (54) 3218.6000, ramal 6436 - Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores: (54) 3218.1613

Proporção de casos de AIDS notificados no Sinan por raça/cor

Proporção de casos de AIDS notificados no Sinan por raça/cor e ano de diagnóstico. Brasil, 2002 a 2011 As notificações com relação à raça/cor, excluídos 8,3% de casos com campo ignorado, 49,7% dos casos notificados no Sinan no ano de 2011 são em brancos, 10,7% em pretos, 0,5% em amarelos, 38,8% em pardos e 0,3% em indígenas. Segundo os sexos, excluídos 8% de casos com campo ignorado, no ano de 2011, 50,6% dos casos notificados entre os homens são em brancos, 9,8% em pretos, 0,5% em amarelos, 38,7% em pardos e 0,3% em indígenas. Entre as mulheres, excluídos 8,9% de casos com campo ignorado, 47,9% dos casos são em brancas, 12,3% em pretas, 0,5% em amarelas, 39% em pardas e 0,3% em indígenas. Nos últimos 10 anos, observa-se uma diminuição de cerca de 18% na proporção de casos de AIDS na raça/cor branca, de 12% na amarela e 6,6% na preta, sendo que na raça/cor parda e indígena observa-se aumento de 42% e 60%, respectivamente. Fonte: MS/SVS/Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais. Nota: Casos notificados no Sinan até 30/06/2012.